"Na solidão inspiradora da madrugada, um texto iniciado de versos."O chamado é de ultima hora mas, a mochila já esta nas costas. Pé na estrada, vamos embora. A noite era gostosa, convidativa: nem muito frio, nem muito calor. Noite de lua e de estrelas, o céu conspira a nosso favor.
O velocimetro, não pára. Já marcava 120, a velocidade é contínua. No radio, uma só voz encantava e, no carro eram três. Na verdade, três risadas gostosas, misturadas à melodia da música.
Elas estão de volta, o trio parada-dura ataca de novo. E agora, em nova versão, versão pós-faculdade. Mas, de novo só o cabelo loiro de uma e o carro zero quilometro da outra. A terceira, de novo, mesmo, era o namorado - que não se encontrava nesta viagem -. Deve estar com os amigos. Depois de dois anos passados, tudo era tão igual: as risadas sem motivo que continuavam sem motivos, os apelidos carinhosos continuavam carinhosos e, a diversão ainda era a mesma, muita farra regada a cerveja, vinho e vodka. Para elas, só isso importava.
Os dias são transformados em noite e, a noite é só uma criança. A praia, só era visitada a tarde, depois das quatro. Afinal, a madrugada terminava as 8 da manha e nascia de novo as 23. A rotina foi uma das primeiras coisas a ser estabelecida - quase que antes mesmo da viagem -Durmir - Praia - Balada. Foi assim, os cinco dias da viagem. Estavam felizes da vida e bebadas. Estavam juntas e era isso que iria significar.
No ultimo dia, Patricia teve um sonho e acordou diferente, as amigas nunca tinham a visto com aquela face e, apesar da insistencia, ela não disse o que havia acontecido. Apenas, pediu pra ficarem mais um dia, afinal, estava tudo tão bom e demoraria para acontecer de novo, quem sabe só depois de uns cinco anos, então, queria aproveitar. E, a sua insistencia tambem não adiantou. As amigas alegavam que precisam trabalhar.
Naquela noite, Patty, estava quieta. Passou a maioria do tempo no bar, sentada, sozinha, observando as amigas. No carro, na volta para casa, para tomarem banho e colocarem as coisas no carro, a mesma coisa. Patty, voltou deitada no colo de uma das amigas: "É que já estou com saudades".
Antes de sairem, a ultima foto. A foto divertida, de despedida. No meio do caminho, o sono bate e, Luciana - a motorista, adormece ao volante. Neste segundo, o carro sai da pista e entra na contra-mão, indo de encontro com um caminhão, que buzina, acordando Luciana. Infelizmente, era tarde demais... Luciana - e todas as outras - estão de olhos, eternamente, fechados.
A irmã mais nova de Patricia chora, tentando entender o porque. "As historias, infelizmente, não são como os contos de fadas, minha princesa. Nem sempre o final é feliz, mas, só peço uma coisa: aproveite a vida, divirta-se, sorria e ria, faça o que tiver vontade. Seja você. E, é isso que fica. Eu estarei sempre ai, com você... Cuidando de você!" E, nesse instante, os olhos derramaram uma lágrima.