Mostrando postagens com marcador Vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vida. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O que faz mais mal para a saúde?





Hoje de manhã. Camiseta engraçadinha, porém já antiga, com a frase: "Troque seu coração por um fígado. Assim você se apaixona menos e bebe mais". 

"Minha filosofia de vida!"
"Espera até você se apaixonar." 
"Não, esquece isso aí. Se apaixonar faz mal pra saúde"
(...)
"É... beber também!"




domingo, 13 de outubro de 2013

11





Lembro com perfeição daquela madrugada do dia 13 de outubro. Já era tarde quando a mamãe me acordou pedindo o telefone da tia Fátima. Naquela época, a tia trabalhava no hospital. Eu acordei assustada, perguntei se estava tudo bem e, com um olho aberto e outro fechado, disquei os números, que hoje me fogem da memória.

Mamãe estava com dores e nós fomos para o hospital. Por três vezes repetimos o mesmo trajeto e da última vez ficamos. Eu não saberia dizer quem estava mais nervoso, ansioso: papai ou eu. Mas, lembro de querer estar perto de vocês o tempo todo.

Você não deve saber, mas a mulher quando está grávida e perto de ganhar o bebê sente muitas dores, são as chamadas contrações. Era o que a mamãe estava sentido. Eu tinha 13 anos, dois a mais do que você tem hoje, e sabia disso tudo. Ainda assim, não aguentei. Estava preocupada, queria que tudo desse certo. Deixei a mamãe com o papai no quarto e fui para a porta do hospital chorar.

Já era de manhã quando a mamãe entrou na sala de parto. Papai entrou logo atrás - não sei se ele já te contou, mas ele assistiu o seu nascimento. Eu fiquei sozinha. Andando de um lado para o outro, jogando o relógio pra cima, tentando fazer o tempo passar. Foi angustiante. Sabe quando você tem que esperar muito por uma coisa e quanto mais perto chega, mais ansioso você fica? Então, era mais ou menos isso que eu estava sentindo.

Meu coração batia rápido. Eu estava sentada na sala de espera quando a enfermeira levou você para o berçário.  Você nasceu às seis horas da manhã do dia 14 de outubro. E naquele momento em que eu te olhei pela primeira vez, entendi que minha vida iria mudar para sempre. Ali, eu prometi que seria a melhor irmã do mundo. Mesmo sem saber o que isso significava.

Aprendi com o tempo. Com os primeiros passos, as primeiras palavras, com as várias escolas e as lições de casa. Teve também a primeira recuperação, o primeiro dente a cair, a primeira camisa do time de futebol, o primeiro amistoso, a primeira vez no estádio. Sem esquecer dos primeiros conselhos, das dúvidas intermináveis e as primeiras perguntas capciosas.

Para falar a verdade, aprendo até hoje com os seus abraços, seus sorrisos e anseios de maturidade. Aprendo quando você me pede para ir no seu colégio ou para ser técnica do seu time do futebol. E até mesmo quando você diz, assim, meio sem saber, que quer ser jornalista também.

“Fica tranquila, Gá! Você é ótima jornalista, vai dar tudo certo”, você me disse recentemente. E ali percebi que falhei. Que não vou conseguir cumprir a promessa feita 11 anos atrás. Por que você é quem o melhor irmão do mundo.

Feliz aniversário, pequeno! Eu te amo muito!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

"Mas, pelo menos você trabalha com o que gosta"

Sexta-feira, 22 horas. Chego em casa, depois de um dia todo na rua, fazendo TCC. Fome, sono e cansaço é só o que restam em mim. Depois de um banho demorado, é hora do jantar.

Na cozinha, encontro minha tia. Dou um beijo na mãe, outro no irmão, uma tapa na cabeça da amiga e o oi obrigatório para a tia.

Entre uma garfada e outra. Eis o diálogo:

Eu: Estou de folga amanhã também.  

Mãe: Ah, é? Dois dias seguidos?

Eu, com um sorriso no rosto: É, vai dar para descansar!

Mãe: Mas, vai trabalhar no domingo, né?

Eu: Domingo eu trabalho.

Tia: Ué, não vai trabalhar no sábado, mas vai trabalhar no domingo?

Eu: Isso, trabalho um e folgo o outro.

Tia: Mas, domingo é dia dos pais... vai ter churrasco lá em casa... Você não vai?

Eu: É, não vai rolar. Vou ter que ir trabalhar...

Amiga: Ah, jornalista não tem muita escolha. Não tem pai, mãe, namorado, aniversário.

Eu: Carnaval, Natal, Ano Novo...

Tia, com cara de desânimo: Ah, entendi. Mas, pelo menos você trabalha com o que gosta, né? Você gosta, não gosta?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Coisas da vida

"Jornal é prestígio. Televisão é popularidade. Rádio é prazer. Por que ele vai com a gente ao banheiro, à escola, ao ônibus, pra cama, pra cima, pra baixo.
O rádio fala. Mas também ouve." - Por Mauro Beting, aqui



Quando entrei na faculdade de jornalismo não sabia muito bem o que queria. Aliás, queria escrever, afinal. Mas sem qualquer pretensão. Não sabia para quem, por quem ou sobre o quê. Tão pouco tinha uma empresa favorita para destinar meus esforços. Falando a verdade, estar na faculdade já era a realização de um sonho, já era uma vitória. Não tinha pensado no depois.

Aos poucos as coisas começaram a ficar mais claras. Para me encontrar e saber como seguir voltei ao passado, à essência. Lembro de, com sete anos de idade, jogar três dentro, três fora, com os meninos da rua. Para desespero da minha mãe. Ali, sem saber, já lutava contra diversos pré-conceitos. E tinha uma tática: era a dona da bola. Assim, se eu não jogasse ninguém jogaria também. Sábado era uma festa. 


Os domingos, porém, eram sagrados. Sentava no sofá para acompanhar os jogos do meu time. Os olhos vidrados na tela. O mais legal de tudo era a torcida: “Pai, quando é que você vai me levar no estádio?”, perguntava ao meu velho. “Um dia, filha. Um dia!”, ele esquivava. E nem mesmo quando o jogo não era televisionado, eu deixava de acompanhar o campeonato. Corria para a garagem, me trancava no Uno Mille 1.0 cinza, ligava o rádio e caçava uma estação que estivesse transmitindo a partida. Na hora do gol, enchia o pulmão de ar e acompanhava o narrador: “goooooooool é do Corinthians”. 


No segundo ano de curso já tinha definido sobre o que queria falar e de repente tudo parecia muito óbvio. De primeira, o mundo do jornalismo esportivo parecia ideal e muito divertido. Foi quando fui apresentada à Filomena Salemme e sua paixão pelo rádio. Ensinava a partir das suas experiências, respirava rádio. Levou os alunos até ele e trouxe a rádio até a gente. Me inspirou. Por coincidência, a essa altura, estava estagiando numa Web Rádio. Sem qualquer salário, apenas com muita fome de bola. 


Por fim, apaixonei-me de vez. Todo dia era domingo, de sol, de Pacaembu. Aprendi muito. E nessa caminhada encontrei outras pessoas responsáveis por manter o fogo dessa paixão acesa. Quase que me fazendo esquecer que um dia estive perdida. Pois, para a minha surpresa, pouco tempo estava de fato empregada, com salário e vale refeição, coordenando, colocando no ar - e por vezes comentando - quatro transmissões simultâneas. Era um misto de tudo: eu, futebol, internet e rádio. 
Realizei sonhos que nem sabia que existiam. Me encontrei. 

Hoje, trabalho com televisão, tenho a vontade de trabalhar com texto. Mas, como disse Mauro Beting rádio é prazer, diversão e paixão.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Versão 2.0


daquelas coisas que são para sempre. 


O telefone tocou. Eu demorei para chegar. Você estava com frio. Era de madrugada, mais manhã do que noite, é verdade. Seu olhar era firme, os braços estavam cruzados junto ao corpo. Eu, meio sem graça, sorria. Aquele riso de canto de canto de boca, de quem acabou de aprontar. 

Durante o longo trajeto até a sua casa, o silêncio prevaleceu. Aquela velha sensação de 'ferrou' foi tomando conta de mim. Olhava pela janela do ônibus e, apesar de não reconhecer o lugar, me sentia em casa. Já estava acostumada com a paisagem, com os carros loucos e com o som do 's' puxado. Na verdade, sempre me senti em casa perto de você. 

Incomoda era a sensação de não saber o que esperar ou de como começar. O que dizer ou como explicar. Ainda calada, de vez em sempre te fitava. Numa tentativa inútil de decifrar seus pensamentos. Será que o cansaço do corpo, que pedia descanso, me livraria daquela situação? Com o caminho cada vez mais curto, talvez o silêncio fosse mesmo a melhor solução: poderíamos apenas chegar e dormir. 

Ou não. 

Obviamente, não consegui escapar do seu interrogatório e daquele seu olhar de 'por que você faz essas coisas?' que me deixa desconcertada, sem saber o que responder. Mas, para a minha surpresa, foi tudo calmo, tranquilo, sereno, com ares de experiências adquiridas, que me deixou surpresa. Não na hora, mas depois.

Depois de arrumarmos as camas, deitamos e você pediu com jeitinho: "O que aconteceu? Me conta!". Eu sorri um riso tímido e me achei boba por achar que escaparia daquela pergunta. Entre dentes e meio baixo, evitando seu olhar, respondi sem dar detalhes. Você sorriu de volta e foi perguntando ponto a ponto. Enquanto eu falava, você balançava a cabeça negativamente. "Ei, não me olha assim!", pedi. 

Não notei na hora, mas você estava me sacaneando. De leve, mas estava. Tanto é que perguntou se eu estava satisfeita com o resultado, com outras palavras, é claro! Eu esperava uma bronca que não veio, uma reação mais enérgica e a constatação de que eu estava fazendo tudo errado. Afinal, instinto protetor é o seu segundo nome. 

Quando o assunto terminou, ganhei cafuné e um beijo de boa noite. Adormeci feliz e assim que acordei  me dei conta de que você não era você. Quer dizer, era mas não era. Entendi, ainda deitada, te olhando dormir de que eu estava conhecendo sua versão atualizada. Adulta e consciente de que coisas assim acontecem, mesmo não sendo o ideal. 

E estava tudo bem. Então, sorri mais uma vez. 



sábado, 15 de junho de 2013

São Paulo não parou. Acordou!



Um pequeno relato do que eu vi, vivi e ouvi na manifestação contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo. O dia foi histórico.  


Foto: Gabriela Abrunheiro

Quinta - feira, 13 de junho. O clima já era de tensão horas antes. Ainda no trabalho, pelas redes sociais e pelo celular, os amigos mandavam mensagens e me pediam cuidado. Segundo eles, a PM já estava ocupando o centro da cidade e estava autorizada, pelo prefeito, governador e pela mídia a bater, ainda mais, nos que estivessem na rua. Um colega, veterano, foi preso antes mesmo de chegar à manifestação. Na sua mochila, uma blusa, uma câmera e uma garrafa de água. Outros, apenas por portar vinagre ou estar comprando um cigarro.

Quinta - feira, 13 de junho. Já estava na portaria do prédio onde trabalho. Minha chefe, sentada, fumava. Informei que estava saindo um pouco mais cedo, que iria à manifestação. "Você vai estar nos livros de história dos meus netos? Então, ok". Dois passos à frente, meu celular toca. Minha mãe me pedia para ir pra casa, passar longe do protesto. Argumentei que precisava estar lá e prometi mandar notícias.

Quinta - feira, 13 de junho. Encontrei com dois amigos da faculdade (de jornalismo, Cásper Líbero) na catraca do metrô República às 18h30. Ali, os seguranças da estação, de capacete e coletes a prova de balas, já faziam um cordão e olhavam com cara feia para aqueles que pareciam suspeitos.  Dois jovens adentravam a estação e já gritavam: “Mãos para o alto, três e vinte é um assalto”.

Foto: Gabriela Abrunheiro


Quinta – feira, 13 de junho.  Entramos no meio da multidão.  Era tanta gente que não conseguíamos identificar onde começava e/ou terminava. Bandeiras, faixas, cartazes. As caras estavam pintadas, os narizes, vermelhos. Alguns rostos cobertos por blusas, lenços e máscaras. O clima era bom, as pessoas pareciam felizes. A bateria ditava o ritmo. E tinha gente de todo o tipo, como é comum a São Paulo. Jovens, velhos, trabalhadores, estudantes, partidaristas, skatistas e todas as outras tribos que aqui vivem e sobrevivem.  O grito “CPTM, vê se me escuta, a sua luta é a nossa luta” – apoiava a greve dos ferroviários, que acontecia naquele mesmo dia.  

Quinta – feira, 13 de junho. Estávamos na Augusta, rua que liga o bairro dos Jardins ao baixo centro, símbolo da pluralidade existente na cidade. Éramos um grupo de umas 400, 500 pessoas. Pode ser que mais, não sou muito boa com números. A ideia era subir até a Av. Paulista só que estávamos parados, literalmente no meio da rua. Na janela de um prédio do lado esquerdo, um moço segurava uma criança, loira, de cabelos médios, encaracolados. Não sei se menino ou menina, mas deveria ter uns quatro anos. Nós acenávamos de baixo, a criança respondia de cima.  “Vem, vem pra rua, vem contra o aumento”, a massa começou a cantar. A criança fez uma cara de susto. Boquiaberta, com o punho cerrado no alto, olhava atônita para a multidão. O moço que a segurava sorria. E não era pouco. Ele sorria muito. Uma lágrima escorreu no meu rosto. Essa nada tinha a ver com gás lacrimogêneo. A cena durou três segundos. O suficiente para ficar eternizada na minha memória.

Quinta – feira, 13 junho. Do outro lado, lado direito, um casal, na sacada do prédio, gritava com algumas pessoas na calçada: “Segura. Calma, calma. Eles estão lá em cima”. Os dois se referiam a Tropa de Choque, que fazia um bloqueio e não deixavam ninguém passar.  Ao mesmo tempo, um outro grupo berrava no mega-fone: “PSTU não sobe. Atenção!  PSTU não sobe  ninguém”.  Nesse momento, o clima já era mais tenso. Ninguém mais gritava, ninguém mais sorria. Meus amigos e eu, não demos atenção. Tentamos ser valentes, dar a cara à tapa. Recuamos na primeira bomba. Viramos numa rua lateral, acredito eu, na Maria Antônia de Queirós.

Quinta - feira, 13 de junho.  Maria Antônia, Bela Cintra. Consolação. Acredito que foi esse o trajeto. Paramos entre a Rua Fernando de Albuquerque e a Maceió.  Alguns carros já estavam atravessados na pista. Havia cavalaria na parte de cima e na parte de baixo. Emboscada! Estávamos, então, cercados. Pediram para abaixar, sentar no chão: “Senta! Senta”.  Será que é uma boa idéia? Pensei comigo. Mas, sentei. Todos ao meu redor sentaram também.  BUM! Bombas e tiros! Levantamos. Começaram a correr.  A única fuga possível era entrando pela rua Maceió, aquela do restaurante Sujinho. Não dava para saber de onde as bombas vinham, mais de uma vez, fiquei com a impressão de estarem sendo jogadas de cima. Agora, caíam do nosso lado, uma atrás da outra. Uma cortina branca se fez. As pessoas, esmagadas entre a mira dos revolveres e da parede, não sabiam se iam ou se ficavam.  Nesse momento, eu estava perto da calçada, já não conseguia respirar ou enxergar. Tudo o que existia em mim queimava. Fiquei com medo. Paralisei. Não conseguia correr, só pensava: as pessoas vão me derrubar, eu vou ser pisoteada. Um amigo então me agarrou pelo braço, empurra daqui, puxa dali. “Corre!” – foi a ordem que ouvi. Ouvi e obedeci. Com os olhos lacrimejando, meio aberto, meio fechado, vi pessoas vomitando ao meu lado.  “Vinagre, vinagre”, implorei assim que sai do sufoco.  Apareceram dois meninos, molharam minha máscara e meu rosto. Enfim, respirei. Tinha sobrevivido.  


Google Maps do trajeto feito.

 Quinta-feira, 13 de junho.  Os amigos seguiam mandando mensagens pelo celular. Whatsapp e Facebook.  Estavam preocupados, queriam notícia. E ao mesmo tempo, mandavam coordenadas. “Clinicas tem 10 camburões”, “Paulista fortemente armada”, “Choque na Bela Cintra”.  Entramos na Angélica e lá seguimos por dentro.  A sensação era de estar sendo caçada, brincávamos de o gato caça o rato. Eles, os militares eram o Tom; nós, os militantes, o Jerry.  Só que não era desenho animado, era a vida real. Era uma guerra. Guerra. Não era a primeira vez que aquela palavra vinha à mente. Tentava mandar noticias aos que estavam em casa: “Tá foda. Mas, estou bem! Tô viva”, escrevi para duas amigas.  Seguíamos pelas ruas residenciais. As pessoas nos quintais e nos portões dos prédios olhavam, acenavam e filmavam. De certa forma, dava-nos força para continuar. O grito voltou a ecoar: “OooOooo o povo acordou”.





Quinta - feira, 13 de junho. As bombas não cessavam. Os tiros também não. Agora estávamos numa praça. Talvez a Clemente Ferreira, talvez a Marechal Cordeiro de Farias. Não sei bem.  A única coisa que sei é que vi a tropa de choque a 250 metros de mim e que, de novo, voltei a sentir medo. Com a mochila na mão, corri e corri muito. Já não havia mais manifestação ou passeata. O que restava eram pessoas desesperadas, correndo sem olhar para trás, tentando se defender de algum modo.  A intenção primária era ficar em pé.  No caminho encontrei com uma mulher, ela estava no celular e chorava muito. “Eu só queria ir pra casa. Eu só queria ir pra casa”. Fiquei na dúvida: parar para ajudar ou não. Decidi que não tinha muito o que fazer. Ela foi para um lado, eu para o outro. Espero que tenha conseguido chegar em casa com segurança.

Quinta - feira, 13 de junho. Sem conseguir chegar a Paulista e com a polícia se aproximando, a Dr. Arnaldo, cheia de carros e ônibus, parecia ser a solução mais segura. Por mais loucos e assassinos que aqueles policiais pudessem parecer, ninguém acreditava que eles jogariam bombas nas pessoas que, nada tinha a ver com o evento. Elas, assim como nós, estavam tentando exercer o direito legitimo de ir e vir. E também, assim como nós, foram acertadas com bombas de gás lacrimogêneo e de pimenta. Pois é, estávamos enganados, bombas caíram ali também. Era possível ver motoristas e cobradores tentando respirar sem conseguir. Alguns manifestantes ajudavam e doavam vinagre. “Isso aqui está impossível”, ouvi alguém dizer.

Quinta – feira, 13 de junho. O boato era de que as estações do metrô estavam fechadas. Eram cerca de 60 pessoas perdidas, sem saber o que fazer. Ir ou ficar? Eis a questão. Um minuto e meio de indecisão. BUM! Mais tiros e mais bombas.  Todos correram, descendo a Major Natanael. Lá embaixo o Pacaembu. Tentei lembrar as outras vezes que desci aquela rua, indo aos jogos do Corinthians. Idiotice. Uma bomba caiu e a menina que estava ao meu lado também. Não sei se de susto, não sei se acertada. Atravessei a avenida. Olhei para trás e vi que estava na mira dos policiais. Do meu lado, um cara foi acertado com um tiro de borracha na cabeça. Cogitei parar e ajudar e no mesmo minuto meu amigo, lendo a minha mente, gritou: “Corre! Corre!”. Obedeci. Mais a frente, um outro amigo indicava o caminho, uma rua paralela, a qual nunca tinha percebido a existência: “Por aqui! Por aqui!”. Saímos da rota dos policiais. Ufa! Eu estava viva. De novo, mais uma vez. O barulho dos tiros persistia, salve-se quem puder.


Foto: Gabriela Abrunheiro

Quinta - feira, 13 de junho. “Rafa, das outras vezes também foi assim?”. “Não, hoje eles não esperaram nem começar. Queriam mesmo pegar”. Novamente a palavra guerra veio na cabeça.
Seguíamos pelas ruas do bairro de Higienópolis. No caminho, barricadas. Naquelas ruas alternativas, lixo tinha sido queimado. Alguns ainda terminavam de pegar fogo.  Será mesmo que foram os manifestantes que fizeram aquilo? A ideia não era passar por ali. O grupo já estava totalmente disperso. Meu corpo já não aguentava mais. Minha mente também não. Caminhávamos em silêncio, as seis pessoas. Ainda assim, eu conseguia ouvir o Choque, os tiros, as bombas.

Quinta-feira, 13 de junho. “Alô, mãe? Eu tô bem! Tô legal. Estou tentando voltar pra casa. Procurando algum metrô aberto. É verdade, eu tô bem. Estou com os amigos. Mãe, eu sou jornalista, tenho que estar aqui. Não seria eu se não estivesse”. Tentava tranquilizar a minha mãe, que argumentava que eu era jornalista esportiva e que aquilo ali não era esporte. Terminei a ligação com um sorriso no rosto. A sensação era de estar no lugar certo, fazendo a coisa certa. A cidade estava pulsando, correndo, gritando, lutando e eu estava lá.

Quinta-feira, 13 de junho. As notícias chegavam aos poucos. Colegas de imprensa presos, feridos. Amigos de faculdade e transeuntes machucados. Policiais que queimaram colchões e quebraram o vidro do carro para colocar a culpa nos manifestantes. E eu já não sabia o que sentir. Um misto de orgulho, nojo. Felicidade e tristeza. O nó na garganta persistia. Vivi o que os livros de história me contaram: a luta por um mesmo ideal, o grito de cansaço de um povo, o despreparo e a repressão de uma policia fascista, que de nada protege. “Ei, você aí fardado, também é explorado”.

Quinta-feira, 13 de junho. Não saí ferida. Fisicamente ferida. A não ser pela unha do dedão do pé que está roxa, pisada, se preparando para cair. E quando cair não vai restar nada. Comparado aos outros, aos companheiros de batalha, nada. Moralmente é diferente. As marcas vão ficar para sempre. Ouvi gritos, choros, bombas e tiros. Gritos. Bombas. Mesmo com medo, me senti mais humana.  Mesmo, sem enxergar e respirar, me senti mais viva. Depois de tanto gás, as lágrimas secaram, parece. Estão presas.  Repasso em looping todas as cenas.  Ainda não consigo compreender. Meus ombros tensos. “A alma guarda o que a mente tenta esquecer”, já diria Mano Brown.

Quinta-feira, 13 de junho. Dia de fazer História. Dia de ser História. De mudar a História. Lápis e papel. Máscara e vinagre. Dia de ir pra rua. “Às ruas!”.  De vencer o medo e soltar o grito. De mostrar que não é por vinte centavos – e mesmo se fosse. Saímos do computador, levantamos do sofá. Cansamos! E estamos vivos. Uma cidade muda não muda. Não nos calarão. Amanhã vai ser maior.  “Vem, vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer!”.  



Foto: Cartaz na Avenida Paulista

Quinta-feira, 13 de junho. São Paulo não parou. Acordou! 

sábado, 30 de março de 2013

Um dia depois do outro


Há dias em que nada é o bastante. Tudo dá errado e mesmo com o sol batendo na janela, a paisagem é cinza. A alma, fria, cansada e pesada.

Há dias em que tudo é confuso. As nuvens encobrem o sol e você não sabe de nada. Se prefere o branco, o preto ou o vermelho. Não consegue escolher entre morango ou chocolate. Um oi irrita, assim como o barulho da TV. No rádio aquela música insiste em tocar. 

Há dias em que a vontade é desistir, jogar tudo para o alto e fazer como manda a canção: tentar outra vez. Diferentes caminhos, novas estradas. Talvez menos tortuosos, esburacados e escuros. 

Há dias de surpresas. Um sorriso, uma palavra, um cafuné. De repente um chacoalhão, um grito, um xingamento. De repente um dois, três copos. Uma, duas ou três cervejas. A cada shot um conselho. Tequila. 

Há dias de surpresas. Algumas palavras, meios silêncios. Outras músicas. Novos pontos de vistas. Um café. Uma noite aqui, outra ali. Os mesmo assuntos,  as mesmas dores. Faz-se segredos, confidências. 

De repente, vida. 

Quem tem amigos, tem tudo. 

domingo, 8 de janeiro de 2012

A Faxina

Estou cansada, paralisada, sem saber o que fazer. Na verdade, eu sei o que deve ser feito. O problema é que não consigo colocar em prática. Queria mudar, pelo menos um pouco, e conseguir tirar da minha vida tudo aquilo que não me faz bem. Fazer aquela faxina no armário: tirar o que não serve mais, o que está pequeno demais ou aquela peça cheia de furos ou que não se adéqua mais a vida que você leva, sabe? Mas, é difícil, não consigo desapegar assim. Olho, e relembro os momentos, fico com saudade e guardo de novo. Por vezes acabo conseguindo dar uma outra utilidade àquilo, mas a questão é que nada é como antes. E isso já deveria estar fora da prateleira há algum tempo.

O que me incomoda não é o não mais usar, afinal, a peça nem era mais utilizada. A questão é saber que, se por acaso eu tiver vontade de colocar e relembrar certos momentos, não vou poder. Ela já não estará mais ali e corro o risco de encontra-la em outra pessoa. É isso que me deixa paralisada, em frente ao guarda-roupa da vida, tirando e colocando peças das prateleiras, cabides, gavetas.

Mas, não pode ser assim, preciso tomar decisões. Preciso começar e terminar logo essa faxina. Distribuir melhor os espaços, para que novas roupas possam chegar.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Tá Combinado?

E ao contrário de tudo o que eu queria, precisava, pensava, buscava. Eis o primeiro post de 2012. Uma música daquelas que narram a vida, os pequenos hiatos, os fatos, os risos e os medos.


    



Então tá combinado, é quase nada
É tudo somente sexo e amizade.
Não tem nenhum engano nem mistério.
É tudo só brincadeira e verdade.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Um dia quem sabe

Uma simples frase. Um desejo. Planos. Futuro. Dia primeiro de dezembro de dois mil e onze. Bar, cerveja e pizza. Uma meia promessa. Um meio plano, uma vontade inteira. Está marcado na memoria e deixo registrado por aqui também. Quando tudo der certo, voltarei a ler e vou sorrir.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Curiosidade: Sandy cantando MJ!

A cantora Sandy, se apresenta no palco do Via Funchal esse mês com um show diferente. No reportório só canções do Rei do Pop, Michael Jackson. A apresentação faz parte de um projeto do Banco do Brasil, chamado Circuito Cultural e contempla também outros artistas como Maria Bethânia cantando Chico Buarque e Roberto Carlos e Tremendão na voz de Lulu Santos.

Meus ingressos, que ainda estão em pré-venda, estão garantidos. E diferente de muitas outras vezes, vou pelo espetáculo e pela curiosidade que este desperta em que acompanhou a evolução musical e pessoal (porque os julgamentos pessoais interferem no gostar ou não) da cantora. E a curiosidade gradualmente com o grau de conhecimento sobre a artista.


Sandy sempre foi muito reservada e perfeccionista. Tenta sempre escolher as palavras certas ao falar com a imprensa, não gosta de escorregões. Essa personalidade exigente a acompanha também em cima dos palcos: a preocupação em não desafinar, em alcançar perfeitamente aquela nota e ter controle sobre sí mesmo a impede de sentir e vivenciar a música em sua essência.






Pelo menos, essa é a percepção que eu tenho ao rever alguns covers que fazia na época em que ainda formava a dupla Junior. Uma apresentação linda, com uma voz afinada, mas de certa forma travada e concentrada na parte técnica da música. Nas suas apresentações solo, com o CD/DVD Manuscrito, as coisas parecem fluirem um pouco melhor. Ela está mais a vontade e se permitindo mais em cima do palco.


Agora imagina tudo isso somado a um repertório quase completamente novo? No mínimo instigante. Caso ela conseguir se deixar levar pelos sentimentos e entender que mais do que assistir uma apresentação perfeita o que o público quer é sentir, será um lindo e emocionante show. É para isso que estou tão curiosa: será que Sandy vai conseguir me fazer chorar?
















terça-feira, 18 de outubro de 2011

Post desabafo sobre uma história que não é minha

Que eu sou altruista, esponja e muitas vezes boba, não é novidade pra ninguém. Pra mim, é simplesmente zelo por aquelas pessoas que gosto. Vê-las chateadas é uma coisa que eu gosto. Assim como injustiça. E quando uma coisa está ligada a outra, me incomoda muito mais. Há muito tento me policiar para não meter o nariz onde não sou chamada. Posso até tomar as dores, mas se a encrenca não me envolve diretamente, fico na minha. Só falo quando me perguntam, se perguntam, ou se tenho liberdade/intimidade para o fazer sem ser consultada. Porém existem situações em que não consigo. Por isso estou aqui. Por isso, esse texto.


Honey, é muito fácil olhar só para o próprio umbigo e sair acusando as pessoas a partir de um esteriótipo. Apontar os erros alheios e não olhar para as próprias atitudes. Você reclama que não houve a procura para uma conversa e eu pergunto: você foi atrás? Não, não foi e eu digo o motivo: talvez suas opiniões estejam cerceadas pela de outras pessoas. Com a também desculpa de não querer entrar numa briga alheia. Contudo, quando você toma partido e passar a tratar diferente o outro lado da moeda, a briga não é mais alheia. O fato piora, ainda mais, quando você é denominado como aquela pessoa que sempre se teve o diálógo.


Sabe, tudo isso me fez conhecer alguém que eu não conhecia e que você deveria conhecer muito bem - mas não conhece. Por fora veste uma armadura de alguém auto-suficiente, que se basta e não depende de ninguém. Mas, que no fundo faz de tudo por aqueles que gosta e sabe passar por cima do orgulho e para dizer que gosta. Foi a primeira vez que a vi fazendo algo do tipo. Ela fez por você e você não viu. Assumo que por algumas vezes me senti enciumauda, desse sentimento. Hoje vejo que não era recíproco e penso: pelo menos o meu é verdadeiro.


Ainda além, ninguém precisa se esconder. Dar a cara a tapa sempre foi-lhe uma marca registrada, ainda mais em situações adversas. A questão é simplesmente ignorar e se divertir com a desgraça da própria vida. Ou então, se afastar daquilo que lhe faz mal, não lhe agrega ou não tem mais sentido. Digo, por ela, que você se encaixa na última opção, pelos fatos descritos a cima. Afinal, qual a razão de se manter uma amizade de fachada de maneira virtual, se na vida real, vocês não se falam mais?


As acusações seguem. E eu afirmo que não é possivel fazer baixaria sozinho. Quando um não quer, dois não brigam. E para ser mais precisa: o que é baixaria pra você? Porque pra mim é: rasgar sua touca de banho, roubar coisas da sua casa ou tentar te jogar contra seus amigos.


Não sou ingênua e sei que ninguém tem 100% de razão. E peço para que você não seja também. Só peço para que você pare pra pensar e reflita sobre as suas aitutdes também. Suas palavras podem ter um peso desnecessário e juntamente com suas ações acabar com algo tão legal.

Minha vontade era pegar esse texto manda-lo por e-mail, com apenas um remetente. Mas como disse, não sou personagem central dessa história. Como adaptação, deixo minhas palavras aqui, com a esperança de que talvez um dia a pessoa certa o leia. Ou talvez simplesmente para desabafar. Não sei.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Aprendizados da vida

Eu sempre me achei meio boba, daquelas sentimentais demais, sabe? Pra mim, bastava o amor. Eu te amo. Isso basta, vai ficar tudo bem. Meu Deus, quanta ingenuidade numa pessoa só. Na verdade, naquela época, isso me bastava: ter a companhia daquelas pessoas que me chamavam de amiga, ouvi-las preocupadas comigo e ter esse reconhecimento. Acontece que achava que era assim com  os outros também até que a verdade me foi jogada na cara.

Certa vez, estava conversando com a  minha  - até então - amiga. Ela chorando as pitangas como sempre e eu soltei minhas palavras de consolo: 'Fica calma, as coisas vão melhorar, vou estar aqui com você. Tenho certeza que isso vai passar!'. A resposta foi nua, crua e direta: "Eu to cansada de você falando dessas coisas de sentimentos. Não quero saber se você me ama, se vai estar comigo... quero que ação. Que você me diga pra onde ir ou o que fazer".

Confesso que doeu saber que ela não ligava para os meus sentimentos. Mas com o tempo entendi o que ela quis dizer. A vida precisa um pouco mais de ação. Não adianta ficar esperando as coisas caírem do céu ou contando com a sorte. É preciso agir. Se está com fome, come. Com sede, beba. Se algo te incomoda, fale. Se está apaixonado, se declare. Vá enfrente, faça as coisas valerem.

Se ela veio até minha pessoa é por que quer alguma ajuda, uma opinião, uma visão diferente. Vale o senso comum de que duas cabeças pensam melhor que uma. Pois é, e eu me limitava ao sentimentalismo. Que brega!   Hoje melhorei, apesar de escorregar as vezes. Mas, ainda encontro pessoas totalmente passivas que não sabem agir e precisam aprender.

domingo, 12 de junho de 2011

Apenas uma lembrança do dia dos namorados ou como ser idiota por alguém

Da série histórias da vida. O casal de namorados eram dois amigos do colégio. Quer dizer, ela era minha melhor amiga e ele colega de sala. Começaram a namorar depois que ela saiu de um relacionamento complicado. Apesar de estarmos no primeiro colegial, com 16 anos, o namoro era daqueles típicos de colégio: mamãe-não-sabe-papai-não-quer.

O mês de junho chegou e minha amiga se animou. Toda empolgada falando em presentes e pedindo a minha opinião. Ele, ao contrário, sempre quieto, não falava no assunto e quando alguém o fazia, o dito cujo mudava o rumo da conversa, prontamente.

Eu estranhei e chamei o cara pra conversar. Ele me confidenciou, em 15 minutos de papo, que tava sem grana, que não podia pedir para os pais, que os velhos não sabiam do namoro e nem poderiam saber, por causa da religião deles e blá blá blá whiskas sachê. Intuição de mulher não falha.

Durante a semana inteira fiquei martelando aquilo na cabeça, não conseguia encontrar um jeito de falar pra minha amiga que ela tinha gastado uma grana no presente dele, mas que ela ia ficar de mão abanando. Gente, aquilo ia ser um desastres do grande. Ela ia chorar e fazer drama.

Aquele dia dos namorados, senão me engano, era numa segunda-feira. No final de semana, fui comprar o presente do meu namorado e não resisti: comprei o dela também. Como se não bastasse, passei na casa dele e entreguei pra ele, mandei esconder na mochila e entregar pra ela no colégio, na segunda.

Ele agradeceu, jurou me reembolsar. No final da tarde de segunda ela me ligou feliz e sorridente falando sobre o presente. Fiz que não sabia de nada. Ela ficou feliz, ele também e eu sem dramas.
Mas, a vida não é um conto de fadas e como não existe o viveram felizes para sempre, eles terminaram.

Cerca de um ano depois, ela parou de falar comigo por causa de outro namorado. E eu fiquei sem amiga e sem dinheiro. Coisas que acontecem.



domingo, 5 de junho de 2011

A diferença entre amor e paixão



"Eu quero alguém que divida o chão comigo.
Quero alguém que me traga fôlego.
Quero dormir abraçada sem susto"

Pra quem quiser mais, clica lá no Blog da Fernanda Mello


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Outro Lugar - Detonautas



Fico inconstante, pareço iniciante
Eu vou fazer de tudo
Pra trazer você pra perto de mim
Pode acreditar que sim!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Elefante, o código de Hamurabi

Um dia antes da tragédia no Rio de Janeiro, discutimos em sala o filme Elefante, depois de escrever um ensaio sobre o mesmo. Reproduzo aqui, o meu texto.

Elefante, o código de Hamurabi

Falar sobre bullying não é nada fácil, afinal, como a prática acontece mais comumente entre
crianças, é difícil distinguir o que é brincadeira e o que não é. Pior ainda é saber o quanto isso,
somado a fatores externos, mexe com a personalidade daquele que é tido como vítima.

A verdade é que ninguém é perfeito, entretanto existem aqueles que não sabem conviver com
as diferenças, sejam elas físicas ou intelectuais. Indo além, às vezes é difícil aceitar as próprias
limitações. Não se encaixar no que se é pré-estabelecido, realmente fere.

Dói ser desajeitado e não o mais bonito. Dói ser o nerd, sabe tudo, e só ter os livros como
companhia. Não ter amigos, namoradas, não ser popular ou ter espinhas na cara. Tudo isso
dói. Assim como andar meio torto, pensar de outra maneira, falar enrolado. Dói, machuca, fere
e nunca, nunca se esquece.

Por vezes, pode chegar a matar. O dia parecia normal, adolescentes conversavam entre os
corredores, outros namoravam, outros não faziam nada. Até que dois estudantes, com trajes
camuflados, malas e mochilas e munidos de metralhadoras semi-automáticas invadem o
Instituto Colombine e, antes de se matarem, matam todos os presentes.

Elefante retrata a normalidade com que a tragédia aconteceu. A superficialidade, a crueldade,
a frieza e a falsidade eram constantes por ali. São normais dentro dos colégios e entre a
juventude. Despretensiosamente, ou não, nos leva a questionamentos mais densos sobre
a segurança dentro das escolas, o papel dos pais dentro a educação, a importância de um
profissional de psicologia no ambiente de estudo.

Mais que isso, mostra o quanto somos vulneráveis. Como o ditado popular bem diz “tem
memória de elefante”. É isso, preferimos guardar as coisas ruins às boas. Nada daquilo foi
esquecido e merece ser vingado. São os tempos antigos dentro da contemporaneidade. Olho
por olho, dente por dente.

Dor só se paga com dor. Ele não esqueceu. Você, possivelmente, também não. A tragédia não
foi esquecida. O sorriso no rosto do protagonista ao matar aluno por aluno também não deve
ser.


sábado, 26 de março de 2011

Natalie Portman e um pouco de mim




Não por acaso Natalie ganhou o Oscar de melhor atriz. Não há dúvidas de que fez um trabalho excepcional em 'Black Swan', um filme muito intenso que exige muito de seus atores principais. Difícil mesmo é ganhar prêmios e impressionar em filmes clichês. E Natalie merece. Diferente do seu par, Ashton Kutcher, ela consegue se transformar em outros personagens. A Emma de 'Sexo sem Compromisso' não tem nada da Nina de 'Cisne Negro'.

Sobre o filme, é uma comédia romântica moderna que tem como problemática a descrença no amor, por parte da personagem principal. Para alguns, sem sal. Pra mim, um ótimo filme.

Confesso, a temática me atrai. E sempre acabo me identificando com a protagonista, quando não o filme inteiro, a maior parte dele. Foi assim em 'Antes do Fim', '500 days of Summer', 'Love and the others drugs' e agora em 'No strings attached'.

São filmes que me fazem pensar e repensar a vida. Me emocionam e acho até que me deixam mais maleável - carente e confusa, com certeza deixam. A questão é que não há problema nenhum em tentar ser auto-suficiente. A questão é quando aprendemos a ser, simplesmente por ter medo.

Medo da dor. Vou me apegar, gostar, querer, ter... e depois tudo o que resta são fotografias e algumas camisetas no armário. Além da dor, é claro. Então, a decisão é ficar só com a melhor parte: bebidas, beijos e sexo.

Mas, o superficial também cansa. E quando se precisa de um colo, alguém pra dividir um chocolate quente ou um sábado sem fazer nada? Uma companhia pra uma festa, pra um show? E quando dá vontade de abraçar? De cantarolar ou de cozinhar pra alguém? De amanhecer e ouvir um bom dia ou um boa tarde?

Nos filmes, nunca é tarde demais e o final é sempre feliz. Ela perde o medo. Ele esquece os contra-tempos. Na vida real, não é tão simples assim. Por vezes, a indecisão te acompanha por muito tempo e quando aparece alguém que pode ser o certo, a hora é a errada.